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[intervenção social] E se você pedir comida a um morador de rua?

Não é um vídeo novo (ele já possui mais de 1,5 milhão de visualizações), mas é capaz de mostrar ainda o universo inimaginável de cada ser humano. Postado em 2014, traz um grupo de jovens que se reuniu para fazer uma intervenção social onde eles pediam comida a pessoas em situação de rua. A resposta, de forma geral, foi negativa, com afirmações de como foi difícil conseguir comida naquele dia (inclusive citando busca por alimentos no lixo).

Em um outro momento, ao invés de pedir, foi dado a um homem algumas sobras de pizza. Do mesmo modo, outro jovem passou e afirmou sentir muita fome. Diferente dos demais, este homem dividiu sua pizza com o jovem e trocaram algumas ideias. Milhões de subjetividades surgem dessa intervenção, até mesmo o ato do diálogo entre ‘diferentes’, a empatia, a repartição do escasso e até mesmo algumas questões mais incrédulas sobre a ação. Porém, algo importante é ver a potência do registro em vídeo para difundir a reflexão sobre sociedade, não somente à parte que compete ao governo, mas à parte que compete a nós mesmos como humanos.

Veja o vídeo:

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maio 7, 2016 | Por Arteira | Comente

Comer, Rezar, Amar – Reflexões sobre si

Eu poderia, como estudante de Cinema e Audiovisual, fazer uma análise técnica do filme. É que quando a gente atravessa o véu da tecnologia, a sensibilidade dos diálogos parecem ficar em segundo plano. Mas não neste caso. Entreguei-me ao Comer, Rezar, Amar como público leigo, sem busca de nada, apenas refletindo sobre cada trecho, cada expressão, a sensibilidade musical e o universo invisível da personagem que, sendo mulher, foge das expectativas de um ser humano ‘libertador’, segundo nossa sociedade machista.

Comer Rezar Amar 01

Então, tirando essa parte de ser um filme massante, cansativo, lento e que, segundo alguns críticos (?) não explorou o suficiente o talento de Julia Roberts (e não vou tomar partido por ninguém aqui), o que tenho a falar é sobre o toque. Sim. A história baseada na vida da escritora Elizabeth Gilbert tem um quê de tocar na ferida. Parece que ele, mesmo de modo ralentado, parece cutucar alguma parte íntima adormecida do público. Não importa se é público feminino ou masculino. O fato é que atinge. Quantas pessoas não conhecemos que gostariam de largar tudo e passar um ano viajando só para entender o seu lugar no mundo? Quantas sabem o que é o ‘prazer de não fazer nada’ sem o sentimento de culpa? Quantas não tiveram histórias similares a de Richard do Texas, pai alcoólatra que perdeu tudo por conta do vício? Que mulher ousaria se lançar no mundo sozinha, sem conhecer ninguém, sem casa, sem emprego, sem apego? Quem arriscaria uma experiência transcendental? Sim, alguma coisa sempre toca.

Comer Rezar Amar

Confesso, entretanto, que achei o livro bem mais divertido. Você consegue ler, rir, parar, refletir e até chorar em algumas passagens. Mas não é justo fazer esse comparativo entre a obra literária e a cinematográfica. Estamos falando de liberdade de criação, o que não obriga um diretor a ser fiel ao livro e nem a ter a mesma interpretação que a gente.

E só para deixar um pouco no ar a imersão ao mundo de si, compartilho o trailer e algumas frases do filme e livro:

  • E-mail de Liz ao seu machucado amor, David:’Outro dia, um amigo me levou a um lugar incrível: o Augusteum. Otaviano Augusto o construiu para abrigar seus restos mortais. Quando os bárbaros vieram, eles o demoliram junto com todo o resto. Como Augusto, o primeiro grande imperador de Roma, imaginaria que Roma e que todo o mundo como ele o conhecia ficaria em ruínas? É um dos locais mais sossegados e solitários de Roma. A cidade cresceu ao seu redor ao longo dos séculos. O lugar é como uma ferida, um coração partido ao qual você se apega, pois a dor é boa. Todos queremos que as coisas permaneçam iguais, David. Aceitamos viver infelizes porque temos medo da mudança, que as coisas acabem em ruínas. Aí, eu olhei esse lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, pilhado e depois encontrou uma maneira de ser reconstruído, e me tranquilizei. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a única armadilha real é nos apegarmos às coisas. A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva à transformação’.
  • ‘Esperar perdão de uma pessoa é perda de tempo. Perdoe a si mesma’
  • ‘Quando você sai pelo mundo para se ajudar, pode acabar ajudando’
  • Diálogo entre Liz e Richard do Texas: ‘- Selecione seus pensamentos como seleciona suas roupas todos os dias. Cultive esse poder. Quer controlar sua vida? Comece pela sua mente. Se não dominar seu pensamento, sempre sofrerá. – Eu estou tentando. – Esse é o maldito problema. Pare de tentar. Entregue-se’
  • David para Liz: ‘E se admitirmos que nossa relação é ruim mas continuarmos juntos? E se aceitarmos que brigamos muito mas não vivemos um sem o outro? Assim, podemos passar a vida juntos, Infelizes mas felizes por não nos separarmos’
  • ‘Ao final, passei a crer que: se você tiver coragem de deixar tudo o que é familiar e conhecido, desde a sua casa até antigos ressentimentos, para partir numa jornada em busca da verdade interna ou externa e se dispuser a encarar tudo o que lhe acontecer como uma pista e aceitar todos que cruzarem seu caminho como um mestre e se estiver preparado, acima de tudo para aceitar e perdoar realidades duras sobre si mesma, então, a verdade não lhe será negada. É algo que acredito por experiência.’
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julho 24, 2015 | Por Arteira | Comente

Storytelling da Pixar: Como escrever histórias criativas

Antes de mais nada, o que é storytelling, né, gente? Vou tentar resumir. Storytelling é a capacidade narrativa (visual ou textual) de se criar histórias relevantes, criativas, inesquecíveis. Este método geralmente utiliza palavras ou audiovisual para ser realizado. Para poder explicar melhor sobre isso, nada melhor que algumas dicas. Quer ser um bom contador de histórias? Então dá uma olhada em 22 regras de ouro utilizadas pela Pixar:

UP Altas Aventuras

1. Você admira um personagem mais por suas tentativas do que por seu sucesso;
2. Você deve manter em mente o que é interessante para você como espectador, não o que é divertido fazer como um escritor. Podem ser coisas bem diferentes;
3. Tentar seguir um tema é importante, mas você não saberá sobre o que a história realmente é até ela estar terminada. Agora, reescreva-a;
4. Era uma vez um… Todos os dias, …. Um dia …. Por causa disso, … Por causa disso, …. Até que, finalmente…;
5. Simplifique. Mantenha o foco. Combine personagens. Não se desvie do principal. Você sentirá como se estivesse perdendo algo de valor, mas isso vai libertá-lo;
6. No que o seu personagem é bom e fica confortável? Coloque ele no extremo oposto disso. Desafie-o. Como ele vai reagir?;
7. Pense no final antes de decidir o meio. De verdade. Finais são difíceis, antecipe o seu;
8. Termine sua história, deixe-a mesmo se ela não está perfeita. Em um mundo perfeito, você tem tudo, mas siga em frente. Faça melhor da próxima vez;
9. Quando você está empacado, faça uma lista do que não poderia acontecer a seguir. Muitas vezes o material que irá desempacar você vai aparecer;
10. Separe as histórias que você gosta. O que você gosta nelas é uma parte de você, você precisa reconhecer isso antes de usá-las;
11. Colocar as coisas no papel permite que você comece a consertá-las. Se esperar que a ideia se aperfeiçoe na sua cabeça, você nunca irá dividi-la com ninguém;
12. Abra mão da primeira coisa que vem à sua mente. E a segunda, terceira, quarta, quinta… Tire o óbvio do caminho. Surpreenda-se;
13. Deixe que seus personagens tenham opinião. Personagens passivos/maleáveis podem parecer afáveis para você enquanto você escreve, mas envenenam a audiência;
14. Por que você deve contar esta história? Qual a crença que a move e que alimenta você? Este é o centro de tudo;
15. Se você fosse o seu personagem, nesta situação, como você se sentiria? Honestidade leva à credibilidade em situações inacreditáveis;
16. O que está em jogo? Dê razões para nos envolvermos como o personagem. O que acontece se ele não conseguir? Aposte contra;
17. Nenhum trabalho é desperdiçado. Se não está funcionando, deixe quieto e siga em frente. Isso será útil mais tarde;
18. Você deve conhecer a si mesmo. A diferença entre fazer o seu melhor e exagerar. Contar uma história é testar, não refinar;
19. Coincidências que colocam os personagens em apuros são ótimas, coincidências para tirá-los da confusão é trapaça;
20. Faça um exercício: pegue um filme que você não gosta e divida-o em partes. Como você o organizaria de uma forma que você gostasse do resultado?;
21.Você deve se identificar com a situação/personagens que cria, e não apenas ser “cool” ao escrever. O que motivaria você a se comportar daquela maneira?;
22. Qual a essência da sua história? Qual a maneira mais resumida de contá-la? Se você sabe a resposta, pode começar daí.

Para quem gosta de escrever, vai ler e degustar essas dicas. Para quem gosta de ouvir histórias, terá desses leitores universos fantásticos para ‘mergulhar’.

Essa é a dica da fumiga de hoje. Até a próxima, pessoal. 😉

Fonte: Royaltalks

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agosto 23, 2014 | Por Arteira | 1 Comentário