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Comer, Rezar, Amar – Reflexões sobre si

Eu poderia, como estudante de Cinema e Audiovisual, fazer uma análise técnica do filme. É que quando a gente atravessa o véu da tecnologia, a sensibilidade dos diálogos parecem ficar em segundo plano. Mas não neste caso. Entreguei-me ao Comer, Rezar, Amar como público leigo, sem busca de nada, apenas refletindo sobre cada trecho, cada expressão, a sensibilidade musical e o universo invisível da personagem que, sendo mulher, foge das expectativas de um ser humano ‘libertador’, segundo nossa sociedade machista.

Comer Rezar Amar 01

Então, tirando essa parte de ser um filme massante, cansativo, lento e que, segundo alguns críticos (?) não explorou o suficiente o talento de Julia Roberts (e não vou tomar partido por ninguém aqui), o que tenho a falar é sobre o toque. Sim. A história baseada na vida da escritora Elizabeth Gilbert tem um quê de tocar na ferida. Parece que ele, mesmo de modo ralentado, parece cutucar alguma parte íntima adormecida do público. Não importa se é público feminino ou masculino. O fato é que atinge. Quantas pessoas não conhecemos que gostariam de largar tudo e passar um ano viajando só para entender o seu lugar no mundo? Quantas sabem o que é o ‘prazer de não fazer nada’ sem o sentimento de culpa? Quantas não tiveram histórias similares a de Richard do Texas, pai alcoólatra que perdeu tudo por conta do vício? Que mulher ousaria se lançar no mundo sozinha, sem conhecer ninguém, sem casa, sem emprego, sem apego? Quem arriscaria uma experiência transcendental? Sim, alguma coisa sempre toca.

Comer Rezar Amar

Confesso, entretanto, que achei o livro bem mais divertido. Você consegue ler, rir, parar, refletir e até chorar em algumas passagens. Mas não é justo fazer esse comparativo entre a obra literária e a cinematográfica. Estamos falando de liberdade de criação, o que não obriga um diretor a ser fiel ao livro e nem a ter a mesma interpretação que a gente.

E só para deixar um pouco no ar a imersão ao mundo de si, compartilho o trailer e algumas frases do filme e livro:

  • E-mail de Liz ao seu machucado amor, David:’Outro dia, um amigo me levou a um lugar incrível: o Augusteum. Otaviano Augusto o construiu para abrigar seus restos mortais. Quando os bárbaros vieram, eles o demoliram junto com todo o resto. Como Augusto, o primeiro grande imperador de Roma, imaginaria que Roma e que todo o mundo como ele o conhecia ficaria em ruínas? É um dos locais mais sossegados e solitários de Roma. A cidade cresceu ao seu redor ao longo dos séculos. O lugar é como uma ferida, um coração partido ao qual você se apega, pois a dor é boa. Todos queremos que as coisas permaneçam iguais, David. Aceitamos viver infelizes porque temos medo da mudança, que as coisas acabem em ruínas. Aí, eu olhei esse lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, pilhado e depois encontrou uma maneira de ser reconstruído, e me tranquilizei. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é, e a única armadilha real é nos apegarmos às coisas. A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva à transformação’.
  • ‘Esperar perdão de uma pessoa é perda de tempo. Perdoe a si mesma’
  • ‘Quando você sai pelo mundo para se ajudar, pode acabar ajudando’
  • Diálogo entre Liz e Richard do Texas: ‘- Selecione seus pensamentos como seleciona suas roupas todos os dias. Cultive esse poder. Quer controlar sua vida? Comece pela sua mente. Se não dominar seu pensamento, sempre sofrerá. – Eu estou tentando. – Esse é o maldito problema. Pare de tentar. Entregue-se’
  • David para Liz: ‘E se admitirmos que nossa relação é ruim mas continuarmos juntos? E se aceitarmos que brigamos muito mas não vivemos um sem o outro? Assim, podemos passar a vida juntos, Infelizes mas felizes por não nos separarmos’
  • ‘Ao final, passei a crer que: se você tiver coragem de deixar tudo o que é familiar e conhecido, desde a sua casa até antigos ressentimentos, para partir numa jornada em busca da verdade interna ou externa e se dispuser a encarar tudo o que lhe acontecer como uma pista e aceitar todos que cruzarem seu caminho como um mestre e se estiver preparado, acima de tudo para aceitar e perdoar realidades duras sobre si mesma, então, a verdade não lhe será negada. É algo que acredito por experiência.’
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julho 24, 2015 | Por Arteira | Comente

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