Muitas pessoas que fazem viagem ao exterior pela primeira vez procuram dicas na internet sobre onde ir, o que comprar, o que pode e o que não pode… E muitas vezes se deparam com dicas clichês, que não informam muito além do que os guias informariam. A dica da vez é uma espécie de ‘guia completo de viagem’ à Buenos Aires, Argentina. Antes de viajar, procurei diversos sites que pudessem me mostrar boas opções a um baixo custo, além de opções que normalmente não são, espertamente, indicadas pelos guias de turismo. E assim, vivi sete dias maravilhosos em terras portenhas…
BUENOS AIRES – GUIA DE VIAGEM
SAINDO DO BRASIL: O que fazer?

- Bagagem: É expressamente proibido pela segurança dos aeroportos levar na bagagem de mão qualquer frasco com conteúdo igual ou superior a 100ml. Isso vale para água também. Caso isso aconteça, o produto será descartado. para evitar isso, é importante coloca-los no bagageiro. Sobre o bagageiro, as regras são as mesmas com relação a peso por pessoa (27kg no bagageiro e 5kg na mão).
- Trâmite no aeroporto (ficha de imigração): Ao pegar o vôo que cruzará as fronteiras entre Brasil e Argentina, a companhia aérea irá lhe fornecer um papel de imigração para ser preenchido. Esse documento deverá ser apresentado junto com a carteira de identidade (que deve estar em estado novíssimo e ter sido emitido há cinco anos ou menos, caso não queira constrangimentos) no aeroporto da Argentina. Guarde-o com MUITO cuidado. Ele, junto à sua carteira de identidade, equivalem ao passaporte. Não pode perder de jeito nenhum. A dica é que ande somente com a xerox, pois os originais só são necessários no aeroporto e nas lojas de câmbio. A perda desses documentos pode retardar o seu retorno ao Brasil, além de encarar trâmites burocráticos junto ao consulado.
- Cotação do câmbio: No Brasil troque somente o mínimo para algum imprevisto ao chegar ao seu destino. Digo isso porque as taxas de câmbio aqui no Brasil são bem altas. A gente só nota a diferença quando chega na Argentina. Aqui troquei R$ 1,00 por $ 1,89. Lá, encontrei a cotação mais em conta na Transatlântica (próximo a Florida) onde troquei R$ 1,00 por $2,47. Para quem quer fugir das taxas de câmbio, pode fazer as compras via cartão de crédito, o que significa comprar pela cotação real que, neste período, era R$ 1,00 por $2,60.
- Cuidados com as compras com cartão de crédito: É muito importante garantir junto ao banco, antes de viajar, que seu cartão está habilitado para compras internacionais. Isso garante que não haverá constrangimentos. Em Buenos Aires, os melhores bancos para essas situações são Itaú e Banco do Brasil. Outros podem realizar operações de débito e saque no Banco 24 Horas (Plus), desde que devidamente habilitadas.
CULTURA PORTENHA: Como é?

O povo portenho é muito receptivo, principalmente com brasileiro. São mais que irmãos. Até porque somos os principais turistas que investem lá. Sempre há a velha comparação entre Pelé e Maradona, mas isso soa mais como uma velha brincadeira do que como ofensa, vai por mim. Sobre a arquitetura, prédios sempre muito antigos por fora, mas muito sofisticados por dentro. Não vemos fiação nos postes, que normalmente são lustres de filmes europeus. Por isso a cidade é tida como a mais européia da América do Sul. Mulheres muito bonitas. Homens muito charmosos. Mas existem as exceções…rs. Todas as praças possuem monumentos instigantes e dignos de foto. De longe, tudo é lindo. Caminhando, pode não ser tão belo. Os postes são cheios de mini-panfletos de divulgação de cabarés e garotas de programa. As ruas, em alguns lugares, possuem um odor não tão agradável. Ah, uma coisa bem curiosa são os cassinos. Como não são permitidos jogos de azar em solos argentinos, então há um ‘cassino flutuante’ em pleno Porto Madeiro. Outras práticas comuns da cultura argentina pode ser vista abaixo:
- Gorjetas: Nenhum lugar do mundo é como no Brasil. Em todos os estabelecimentos e/ou serviços é ‘cobrada’ uma gorjeta que varia entre $3,00 e $10,00 por pessoa (exceto nos ambulantes, claro). Esteja preparado pra isso. Mesmo que não seja pedida, é sempre esperada. A simpatia é grande por brasileiros, mas pode acabar na hora da gorjeta.
- ‘Portunhol’: Um dos meus maiores receios era a língua espanhola, pois mesmo sendo uma ‘língua próxima’ a nossa, existem suas particularidades. Esse medo acabou quando descobri o portunhol…rs. Como tem muito brasileiro por lá, já é um costume se adaptar à língua. O diálogo fica mais fácil.
- Beijos entre homens no rosto: Não se espantem. De cara eu achei que era a diversidade em voga. Mas é costume mesmo.
- Mafalda: É um ídolo deles. Em San Telmo tem até uma estátua dela sentada na praça. Aí me veio uma curiosidade: Qual o personagem que é nosso ídolo?
- Patriotismo: Pode procurar. Até nos bairros não-turísticos tem uma bandeira da Argentina. Nos bares, nos shows, nas lojas, na periferia… Mesmo diante das mazelas eles as propagam em todo lugar. Você a todo instante sabe que está na Argentina e não em outro lugar. Diferente do Brasil…
- Não peça desconto: Não adianta. Somos brasileiros, terra da moeda forte. Eles fecham logo a cara se você insistir. Você pode até tentar, mas as possibilidades de sucesso serão bem remotas.
HOSPEDAGEM: Onde?

Para quem quer economizar o mais indicado é se hospedar no centro da cidade. Além de possuir hotéis de todas as estrelas possíveis, dá pra ir a pé à Florida (principal centro de compras), Puerto Madeiro, Obelisco, Avenida 9 de Julho, Avenida Corrientes (onde mora a vida noturna portenha). Se a coragem for muita, pode também ir ao Teatro Colón. Fora isso, como lá tem ciclovia, é possível alugar bicicleta e ir conhecendo um pouco mais da cidade, dando uma esticada até o Jardim Japonês. Parece loucura, mas não é. Acabamos descobrindo mais coisas sobre a cidade do que o que os guias nos mostram. Lá eu fiquei no Hotel Orly, um hotel 03 estrelas. Vi muitas críticas sobre ele antes de viajar, mas entendi que muitas delas era para quem buscava luxo. Toalhas e lençóis limpos; limpeza satisfatória; e quartos bem confortáveis. O café da manhã é que deixou a desejar: Sempre a mesma coisa. Ainda sobre os passeios, lugares mais distantes podem ser alcançados de táxi (que é baratinho) ou com os transportes públicos que, para quem não exige sofisticação, não deixam a desejar.
ALIMENTAÇÃO: Quanto?

Comer na Argentina pode parecer aparentemente caro, mas não é. Existem divergências se compararmos o nível de vida do nordeste e do sudeste do Brasil. Para o nordestino, cujo custo de vida é mais baixo, seria caro. Para os paulistas, por exemplo, seria barato ou mais ou menos o que se paga no Brasil. Uma média de preço para um almoço em um restaurante argentino é de $60,00 (pesos argentinos) o que equivale a menos de R$ 30,00. Fora isso, a gorjeta, que normalmente fica em torno de $5,00 por pessoa. Levando em consideração que a carne é um ‘bifão’, pode-se dizer que o almoço pode ser dividido para duas pessoas. Logo, não é caro. A bebida, entretanto, já é um pouco mais ‘salgada’ com relação ao preço. Mas a diferença não chega a ser gritante. Além do almoço, segue lista de coisas imperdíveis que merecem passar pelo nosso paladar:
- Sorvete de doce de leite no Freddo: Simplesmente indescritível! É imprescindível provar.
- Chocolate e doce de leite do Havanna: Pena que não podemos (sem maiores burocracias e impostos) trazer essa delícia pro Brasil. Muitas das coisas boas da Argentina ficam armazenadas na nossa memória… E essas duas delícias são um exemplo disso.

- Empanadas: São salgados de forno. Excelentes pra fazer aquele lanchinho básico depois de uma longa caminhada. Um dos principais da cidade.
- Media Luna: É o mesmo croissant daqui, tendo eles salgado e doce, mas sem recheio.
- Bife de chorizo (contra-filé): Não importa o que digam. A carne argentina tem sim um gosto inigualável. Além de muito macia vem em quantidade generosa. Uma pessoa só não dá conta, vai por mim.
NÃO PODE DEIXAR DE IR: Onde?

Tem muita coisa pra se ver em Buenos Aires, seja na capital ou nas províncias. Logo, você acaba tendo que optar pelos lugares que mais atendem às suas expectativas. Muita coisa deixei de ver, mas que fica pra uma próxima, como o Café Tortoni, a vida noturna da Avenida Corrientes, a feirinha de San Telmo, o cemitério da Recoleta… Tive que fazer escolhas, e sobre elas posso falar com propriedade:
- City Tour: A vantagem do city tour é te apresentar os principais pontos da cidade para que você possa, posteriormente, escolher os lugares que quer conhecer mais a fundo. Só isso. É comum eles quererem parar em locais para compras (normalmente não tão baratos, já que os guias tiram suas comissões em cima das vendas – o que é justíssimo, e já que são pontos turísticos). Nesses lugares, só compensa comprar lembrancinhas típicas do local da venda, pois pode ser mais difícil encontrar em outro local depois.
- Show de Tango: O Señor Tango é o mais caro e o mais sofisticado, mas vale a pena. Há quem diga que é muito longo ou vulgar. Mas show de tango é pra adultos e a peculiaridade da dança é justamente a sensualidade. Se isso te assusta, melhor nem ir. Não pode fotografar se não for com câmera pequena e não existe um DVD do espetáculo. O que é visto é guardado só na lembrança. Existem vários outros shows bem mais baratos e que não comprometem a qualidade. Tango pra Argentino é como Samba pra brasileiro, tem em todo lugar e tá na veia.
- Puerto Madero: Seria, para os fortalezenses, a ‘Beira-Mar’. Para os cariocas, talvez, Copacabana. É um bom lugar para se comer bem, fazer um bom passeio e conhecer um pouco da história da cidade.
- Casa Rosada: Pela história que carrega consigo, é importante conhecer. É a casa do governo. O que seria, para os brasileiros, o Palácio do Planalto. É comum ver manifestações em frente ao local. Dentro, a arquitetura é impressionante, mas não pode fotografar.
- Mar Del Plata: Um rio bem extenso, se confunde com mar. As informações são que ele possui cerca de 240km de extensão. Pode ser apreciado no city tour.
- Rio Tigre: É um passeio pra constar, no meu ponto de vista. Não vi nada de interessante, mas muitas coisas interessantes podem ser vistas fora do rio. É um bom passeio e só.

- Zoológico Temaiken: Pra quem gosta de bichos e não se preocupa em andar bastante, não pode deixar de ir. É enoooooooooorme e possui atrações bem diferentes. Na verdade, é tudo tão grande que a sensação é que nós somos as atrações dos bichos, principalmente na sessão das aves, onde uma me recebeu de maneira bem calorosa…rs. Tem também o aquário, onde podemos apreciar tubarões, arraias e outras espécies marinhas.
- Parque de La Costa: Para todos os gostos. Quem quer só passear paga $2,00. Para os brinquedos mais convencionais como carrossel, roda gigante e afins, $35,00. Agora, se você é dos radicais, não compensa ficar no meio termo. Compre logo o pacote ouro por $120,00 e viva fortes emoções em várias das maiores montanhas russas da América Latina. Mas se isso não for suficiente… Pague mais $80,00 e vá no Skycoaster. Para esse não tem nem fila…rs. Só para malucos! 60 metros de queda livre!
Como disse anteriormente, tem muita coisa pra se ver. Infelizmente, não pude ir a todas, mas vocês podem ver minhas observações e definirem o que está dentro do seu padrão de gosto. O que não gostar, substitui por outros passeios e pontos turísticos.
DICAS DE COMPRAS: Onde?

- Florida: Florida é uma rua de compras. Para os cearenses seria o equivalente a ‘Monsenhor Tabosa’. Para os paulistas, talvez, a ’25 de março’ (não pelos preços, mas pela variedade de galerias e produtos para venda). Neste espaço possui muitas lojas, galerias e vendedores ambulantes. Vale a pena fazer uma pesquisa de preços pois o mesmo produto que você encontra por $29,90 pode encontrar depois por $10,00. Basta ter disposição para procurar.
- La Boca: É um bairro de periferia, mas é ponto turístico famoso por suas cores, pelo Caminito e pela sua história. Nesse bairro tem o estádio Boca Juniors, conhecido mundialmente. Para comprar também é um bom local, o mais barato dentro dos locais turísticos. Não é aconselhável ir a noite.
- Perfumes e artigos de couro: As lojas da Florida conseguem vender perfumes com marcas famosas por um preço bem bacana, comparados aos preços oferecidos no Brasil. São marcas como Calvin Klein, Dolce Gabbana e outros até pela metade do preço aqui. Sobre o couro, dizem que é barato, mas barato mesmo você só encontra nas fábricas. Eu comprei na Aires, que é bem escondido… Vale a pena pesquisar. E lembre: Barato não quer dizer que é dado. Afinal de contas, vocês estarão comprando couro legítimo!
- Lojas 25 horas e Carrefour Express: As lojas com selo 25 horas são comuns pela Argentina. São lojas de conveniências para comprar coisas básicas, como água, alfajor, refrigerantes, empanadas, etc. O Carrefour vende lanches e outros mantimentos também com preços mais em conta.
Outras dicas e curiosidades

- Once: É um bairro que inicia, pelo metrô, na ‘Praça dos Miseráveis’. Existe um comércio intenso para não-turistas. Tudo é bem mais barato que no centro e nos pontos turísticos, mas nem tudo tem qualidade. É um misto entre lojas de marca e populares. Tem fama de perigoso, mas para quem vai do Brasil… Já está mais que vacinado. Não é violento, mas é bem pobre. Daí não é aconselhável.
- Zoológico de Lujàn: É um zoo interativo. Alimentar oncinhas famintas, fotografar ao lado de um leão, são algumas das atrações do parque. A úncia ressalva é que eles não dão garantia nenhuma sobre os riscos que podem acontecer. Quem arriscou, até onde sei, saiu feliz da vida.
- Táxis e outros transportes: Muito baratos. Os transportes públicos para que gosta de ‘bater perna’ podem ser uma alternativa bem interessante. Os táxis, quando dentro da cidade, são uma alternativa bem em conta também. Se você quiser conhecer uma ponta a outra da cidade você gastaria, de táxi, uns $120,00, segundo informações do hotel.
- Salário mínimo: A título de curiosidade, o salário mínimo argentino é $1.000,00. De cara você imagina ‘caramba, que salário bom’, mas se convertermos em reais daria aproximadamente R$ 480,00 para um custo de vida equivalente ao do brasileiro. Ou seja, muito pouco! Talvez por isso a gorjeta seja tão essencial nos serviços oferecidos por lá…
- O que compensa e o que não compensa comprar: Compensa couro e perfumes. Eletrônicos nem tanto…
- Período: Quem acha que em Janeiro Buenos Aires é fria se engana. Está mais para ‘Calientes Aires’, chegando ao pico de 40º de temperatura. Água é ouro em dias de verão. Porém, a noite vem aquele friozinho básico…
- Roubos: Muito cuidado com isso. Como normalmente não são violentos, você é acaba sendo roubado sem perceber. Nos táxis, é comum passarem notas falsas como troco. A dica é sempre pegar táxis pelo Radio Taxi, que são credenciados. Compras com ambulantes correm o mesmo risco. Outra dica é sempre andar com dinheiro trocado. Sobre roubos, qualquer pessoa que esbarrar em você na rua é suspeita. Olhe logo para seus bolsos, pois provavelmente algo foi tirado.
- Quanto levar: Meu pacote custou cerca de R$ 3.000,00 (em infinitas parcelas…rs), incluindo passagens da TAM saindo de Fortaleza (a melhor em serviços), city tour, ingresso para o Señor Tango com jantar, passeio pelo Rio Tigre e entrada para o Temaiken. Fora isso, para as compras, se a ideia é comprar apenas souvenirs, mais R$ 1.500,00 bastam. Mas isso é uma base de mínimo. Para o máximo, não há limite de compras.
De volta para o Brasil…

É importante registrar que no retorno ao Brasil, ainda no vôo, preenchemos um documento da Receita Federal onde declaramos o que estamos trazendo nas malas. Normalmente há problemas (e temos que declarar) quando transportamos animais, plantas, alimentos, produtos químicos, compras com valor superior a US$ 500,00 (dólares, viu?). Há também alguns limites quantitativos, mesmo quando autorizados:
- Bebidas alcóolicas: Até 12 litros;
- Cigarro: 10 caixas com 20 unidades, no máximo;
- Charutos ou cigarrilhas: Até 25 unidades;
- Produtos com valor inferior a US$10,00 (souvenirs, por exemplo): Até 20 unidades, mas não pode haver 10 idênticas;
- E outras não descritas com valor a partir de US$ 20,00: Até 10 unidades, mas não pode ter mais de 3 idênticas.
Então, é isso. Tudo o que foi falado aqui não chega a 50% do que a Argentina tem a nos proporcionar. Lugares lindos, pessoas altamente receptivas, a gente se sente em casa mesmo. Pena que não dá pra ver tudo em apenas sete dias, por isso é importante pontuar o que lhes parece mais interessante. Aqui, relatei minhas experiências, falei sobre o que conheci, para dar uma base de todas essas coisas. Mas existem gostos que não provei, ruas e lugares que não passei… Uma boa vitrine que acabou sendo um dos melhores sites que achei sobre pontos turísticos da Argentina foi o Buenos Aires Turismo. Fica como última dica. Boa viagem e curta bastante!