Relato: A saga de um nordestino [pode rir, eu ri também]
História verídica, viu? Era um grupo de teatro que viajava para um festival em uma cidade no interior de São Paulo. Antes de sair do Ceará, se certificaram de todas as passagens e toda a documentação para a chegada à referida cidade. Beleza! Embora alguns tenham viajado em vôos diferentes… Chegando no aeroporto de Guarulhos (seguido de longas horas sentados no chão, já que não haviam poltronas desocupadas) descobriram que o vôo ia ser cancelado por conta de um problema na aeronave. A empresa aérea, para não deixar os passageiros na mão, resolveu pegar uma outra ‘aeronave’ de uma empresa parceira, recém-adquirida da mesma. Aí o grupo passou mais uma ou duas horas esperando pelo novo vôo. Para surpresa de todos, o avião não era com turbina… Era com hélice (é o novoooo…rs).
E aí começaram todas as ‘up altas aventuras’. Aviões pequenos sempre tem menos resistência no ar. Mas, como toda saga de nordestino é sofrida, o pior ainda estava por vir. Bom, o avião era pequeno (como já disse) e o motor esquentava pra caramba (com certeza, mais de 40º) e, pra completar, o ar condicionado estava quebrado e não havia ventilação alguma. Eu vi direitinho a imagem do nosso velho pau-de-arara, faltou só a poeira na cara e uma gaiola com a galinha (que os filmes mostram com tanta infidelidade). Tava tão quente, mas tão quente, que a aeromoça ao invés de trazer aquelas balinhas trouxe foi lenço umedecido. A gente tava no céu, mas parecia mesmo era que a gente tava andando sobre o asfalto de Fortaleza (traduzindo: pistas esburacadas). E a gente achava que já era a turbulência, quando o comandante avisou ‘vamos atravessar uma zona de turbulência’. Como assim??? Aí começou a parte mais emocionante da viagem. Parecia um liquidificador. O avião subia e descia subitamente. E pra completar, o céu tava todo nublado (sim, período de chuva em Sampa), e como o avião não tinha resistência pra subir muito…Já viu, né… rsrs.

Os passageiros riam pra ver se pelo menos morriam felizes. Mas a pérola dessa viagem, com certeza, foi a aeromoça (uma tal de Mônica). Primeiro, porque ela foi dar instruções sobre o salva-vidas, até que um dos atores da companhia teatral perguntou ‘e onde estão os nossos?’, ao que ela prontamente respondeu ‘só tem um, e é o meu’ (pérola 1).
Ela sempre ‘muito simpática’ e ‘muito cortês’, conseguiu deixar todos na aeronave em pânico (rs). A princípio pensei que estivesse brincando. Mas não… Depois de já ‘acostumados’ aos sobes e desces do avião, uma atriz pediu água (acreditem, todos estavam HIPER desidratados). A Mônica respondeu delicadamente ‘VÁ BUSCAR’ (pérola 2).
E aí formou-se uma fila, já que todos os passageiros estavam realmente com sede. Isso irritou a Mônica que disse que a gente precisava sentar porque ela estava ‘perdendo a contagem’ e tendo que refazer (pérola 3). Alguém disse ‘mas não foi você mesma que mandou a gente se servir?’. E ela solta a pérola: ‘Não era pra servir nada pra vocês neste vôo’ (pérola 4).
Ainda tem muita história pra contar dessa viagem… O lance da aeromoça ficar tomando remédio e ficar toda se tremendo na traseira da aeronave (pérola 5); de se ‘prender’ na poltrona como se fosse a última coisa que ela tivesse fazendo na vida (pérola 6); e, não menor, a felicidade e os aplausos (e gritos) dos passageiros quando finalmente a aeronave posou no aeroporto da ‘cidade prometida’.
UFA!!!! Essa experiência não tem preço…rs.
A gente bem que poderia abrir uma séria reclamação contra a empresa, mas melhor que isso é dividir essa experiência com vocês para que vocês possam rir junto com a gente. Se contar, ninguém acredita. Mas bem que daria uma nova peça de teatro…rs.
Abraços da fumigaaaaaa*! :)
*Apelido carinhoso gentilmente criado pela leitora Thaís Martins
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