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Cartilha e tabuada: Saudades de uma infância feliz

Quem aí se alfabetizou através de cartilhas? Nossa… Quanto tempo faz (que nem me lembro mais)! Para quem não teve a felicidade de conhecer, as cartilhas de alfabetização serviam, nada mais e nada menos, para ensinar crianças a ler e a escrever rapidamente. E funcionava!

E da tabuada? Alguém se lembra? Aquela revistinha ‘fininha’ ensinando as quatro operações básicas… Caramba!

Lembrei agora do cheiro da infância (e das traças…rs). Quando minha mãe me ensinou um jeito prático de aprender a tabela de multiplicação por ‘nove’:

‘Minha filha… A multiplicação por nove é a mais fácil que existe… Escreva a tabela’

Seguindo os conselhos da minha mãe, eu escrevi:

9×1= (?)

9×2= (?)

9×3= (?)

9×4= (?)

9×5= (?)

9×6= (?)

9×7= (?)

9×8= (?)

9×9= (?)

9×10= (?)

E ela continuou: ‘Pronto! Muito simples: Agora escreva de ‘0 a 9’ de cima pra baixo e depois, em seguida, de baixo para cima‘. E assim eu fiz:

9×1= 09

9×2= 18

9×3= 27

9×4= 36

9×5= 45

9×6= 54

9×7= 63

9×8= 72

9×9= 81

9×10= 90

Caraca! Num é que deu exatamente a resposta certa?! O.O Na época eu achava que minha mãe era mágica…kkk.

Ela era fera em me ensinar a ‘decorar’ matemática… Mais o pior é que eu acabei aprendendo…rs. O resultado disso é que hoje estou formada em Administração de Empresas, com ênfase em matemática financeira…rs.

E o mais legal é que isso (esse lance de procurar o jeito mais fácil de aprender) se estendeu às outras matérias: Português, Química, Física… Acredita que até hoje sei quase toda a tabela periódica? Quem nunca formou aquelas frases… ‘Linákio Roubou César na França’ (Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio e Frâncio – da família dos metais alcalinos)? Ou ‘Bela Margarida Casou com o Sr. Bao’ (Berílio, Magnésio, Cálcio, Estrôncio, Bário e Rádio – da família dos alcalino-terrosos). E, em física, o que me salvou foram as músicas (ridículas, mas funcionais) do Pachecão (do CD ‘Odeio Física’). Uma delas fica na minha cabeça até hoje (que fala sobre o Movimento Uniforme).

Tudo bem, tudo bem… Física e Química não fazem parte da escola na infância… Mas o que aprendi (e como aprendi) durante a infância ajudou que só, no vestibular…hehehe 🙂

E o caderno brochura? Alguém ainda utiliza? Aqueles que a gente arrancava só uma folha e caiam todas as outras 🙂

E o caderno de caligrafia? Hoje os estudantes tem uma boa caligrafia? Creio que escrever (manuscrito mesmo) hoje é raro. Afinal, escrever é coisa do passado. A onda agora é ‘teclar’. Mas não me lembro desse apego todo por teclado na época da máquina de datilografia 🙂

E o que me inspirou a postar sobre esse assunto foi um e-mail que recebi com imagens das cartilhas desde 1989! (eita!). E isso me faz pensar o quanto a educação mudou… Os livros foram trocados por apostilas ou ‘kindles’. Esse lance de ‘dar para o meu filho o que nunca tive’ se transformou em ‘ser mandado pelos filhos’. A economia de papéis (e de árvores cortadas, conseqüentemente) talvez tenha sido a parte boa da tecnologia. Aliás, não vejo a tecnologia como algo ruim, mas se tem um ditado popular que acredito piamente é que ‘tudo em excesso estraga’. O que nos falta, talvez, seja este equilíbrio entre o bom senso e liberdade. Afinal de contas, ter uma boa base (o início de tudo) é fundamental para um futuro brilhante. Ah, que saudades da infância…

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março 9, 2010 | Por Arteira | 1 Comentário

1 Comentário to “Cartilha e tabuada: Saudades de uma infância feliz”

  1. Jorge:

    Sou professor e hoje, tudo isso é considerado maldito pelos pedagogos e teóricos da educação.Vê-se o resultado na qualidade do ensino no Brasil,moderno e dinâmico.(rá)

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