O Brasil amarelou?
Não dá mais para tolerar todo este papo furado referente à nossa famosa “amarelada” em competições importantes.
Toda olimpíada é a mesma coisa: uma trupe infame de jornalistas e comentarístas esportivos, surgidos não se sabe de onde, vêm aos meios de comunicação para “dedurar” os amarelões.
E assim nascem os páreas do nosso esporte:
- Ronaldinho está com medo, diz um.
- Marta perdeu o pênalti, diz outro.
- A culpa é do sangue latino, mais um intelectual se pronuncia.
Ninguém para, num segundo que seja, para pensar que nervosismo não está no sangue nem na cultura. Pensar assim é tapar o sol com a peneira, é não querer ver os problemas da nossa sociedade.
A vitória para uma americana, que disputa uma final olímpica de futebol feminino, é uma honraria, um adereço dos mais finos e importantes, mas não deixa de ser apenas um título, uma glória.
Para uma brasileira como Marta, como Cristiane, como Bárbara, é a vida. É o almoço do outro dia. É a profissão.
Quando a goleira alemã perde o jogo, ela volta para sua casa, com sua família, seu clube, sua TV e seu conforto.
Para onde voltará a goleira Bárbara, que treina sozinha e não tem nem sequer um clube para defender (ou defendê-la)?
Então, paremos imediatamente com esta tolice.
Ansiedade é mais do que natural para alguém que tem o próprio futuro o tempo todo no fio da navalha, equilibrando-se diariamente naquela corda bamba que um dia um sambista tão bem cantou.


















Comente