Brasil perde para a Rússia no vôlei masculino
Não é de hoje que se criou o estereótipo do treinador durão, tipo capitão de exército, brigão, gritando palavrões para todo lado e pressionando seus atletas para ver se extrai até a última gota de suor e dedicação possível.
Entretanto, desempenhar a função dessa maneira exige algo mais. Primeiro, é necessário carisma, depois, acho importante que o indivíduo tenha tato, noção das cobranças que faz e da maneira que fala, para não acabar atingindo o efeito contrário, desestabilizando emocionalmente a equipe que treina.
Dunga – treinado da seleção de futebol – consegue exercer muito bem essa função, transformando todos os seus atletas em leões dentro de campo, valentes até demais – eu diria.
Agora o que Bernardinho vem fazendo, desculpem-me, mas não pode ser feito com um grupo de jogadores de ponta. A cobrança é excessiva e o exagero é instantaneamente transformado em uma pressão insustentável por este grupo.
Resultado: antipatia generalizada pelo treinador e nervosismo na hora da partida.
Não falo nem dos problemas entre o treinador e o jogador Ricardinho. Estou falando mesmo é da cabeça do grupo agora, nos jogos olímpicos de Pequim, onde já houve uma pequena briga entre o treinador e o próprio filho, envolvendo também outros nomes da equipe.
O jogo contra a Rússia na madrugada de hoje foi o reflexo mais visível dessa situação toda. Ao perder dois sets “em detalhes”(segundo Giba), a seleção desestabilizou-se de tal maneira que, no quarto e último set, não conseguia mais jogar. Tudo dava errado, o grupo não se comunicava e, por incrível que pareça, até o valente Bernardinho foi pego calado na área técnica sem saber o que dizer.
Mas nem tudo é tragédia nessa olimpíada.
O Brasil ainda está em segundo no grupo e basta vencer as próximas duas partidas para continuar nos jogos.
Competência não falta.
Que reine a paz…

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